São Tiago, o Melody e o mijo
Machado de Assis dizia que não há nada pior que uma idéia fixa. E o autor de Memórias Póstumas de Braz Cubas tem razão! As ideias podem levar a lugares impensáveis ou a lugar nenhum. E no campo da política, o parlamento é o território mais fértil para que elas floresçam. Boas, ruins, uteis, inúteis. Relevantes ou não. Tudo depende do que vai sair da cachola do vereador, do que vai entrar na cabeça do deputado ou senador e do reflexo que isso vai ter na vida das pessoas.
A idéia do momento é feriado de São Tiago. Sou a favor e contra ao mesmo tempo. Entendo a intenção de valorizar a história do povo que veio do Marrocos para construir parte desse Amapá que conhecemos. É louvável que a deputada Marília Góes esteja preocupada em valorizar as tradições e a cultura da festa de São Tiago. Mas criar mais um feriado em meio a tantos que já temos? Mais um feriado para um estado que não produz nem o que consome internamente? Considero justo o feriado de São Tiago, desde que e somente se, um outro feriado for extinto. Uma simples consulta vai mostrar que alguns não vão fazer a menor falta.
Outra idéia polêmica é do vereador Jaime Perez de cria a Semana do Melody. Sou a favor! Sem feriado, será uma semana para valorizar a cultura de massa e colocar em evidência a música que é feita na periferia. Mas uma semana ouvindo Melody não seria muito tempo? Não! Ouve quem quer, ora. Eu não ouviria. Mas não vejo problema que artistas desse seguimento possam ter o trabalho prestigiado por quem se interessa por ele. É uma questão de gosto, de escolha pessoal. Não gosta do DJ Maluquinho? Então vai ouvir a Nona Sinfonia de Beethoven.
Existem ainda aquelas ideias que no primeiro momento, se comparam com a descoberta da pólvora. Mas que depois se revelam inócuas, inexequíveis, ingênuas. O senador João Capiberibe, por exemplo, quer proibir o consumo de bebidas alcoólicas em aniversários de criança. O projeto, por mais bem intencionado que seja, é impraticável, fere as liberdades individuais e o estado democrático de direito. Já pensou proibir o “mijo” do seu filho recém-nascido? Que injustiça. E se daqui a pouco outro iluminado quiser proibir o consumo de carne vermelha ou o uso da cor azul na sua casa? Melhor nem pensar. As ideias são perigosas. Despertam ódio e amor, celebram a paz ou levam a guerra, podem arrancar aplausos calorosos ou simplesmente provocar risos.
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